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sábado, 20 de janeiro de 2018

GLAXO



1

A esposa, de origem indígena, de Matt Morgan (Kirk Douglas), xerife do condado de Pauley, é violentada e morta. Na tentativa de descobrir quem era o responsável por tamanha barbárie, Morgan viaja para a cidade de Gun Hill. Um dos suspeitos do assassinato é o filho de Craig Belden (Anthony Quinn), um rico fazendeiro da região. Decidido a levar o acusado a julgamento, Morgan precisa superar grandes dificuldades.

Morgan é o típico “mocinho” – corajoso, bondoso, ético. Craig simboliza os “novos tempos” – o dinheiro se impondo, estabelecendo outro tipo de ordenamento ao mundo.

Com essa base, o roteiro do filme Duelos de Titãs, título brasileiro para Last Train from Gun Hill (Dir. John Sturges, 1959), retrata, em ritmo de “Far West”, uma história sobre vingança, família e amizade.

 2

Um grupo de adolescentes – em uma cidade no interior da Argentina –, nas sextas-feiras e sábados, costumava ir ao cine Savoy ou ao Cine Espanhol. Depois, se reuniam no clube Bermejo. Quando estavam quase bêbados, Vicente (Flaco) Vardemann e Miguel (Miguelito) Barrios, como uma espécie de brincadeira particular, encenavam para os amigos um duelo similar ao que tinham visto no cinema: Miguelito desembainhava e descarregava de balas o revólver imaginário em sua mão, depois o fazia girar, soprava a ponta e voltava a guardá-lo. Enquanto Miguelito fazia isso, o Flaco Vardemann fingia-se de moribundo, um ferido que se arrastava pelo piso do Bermejo (uma vez derrubou uma mesa cheia de garrafas).

Bicho Souza, Lucio Montes, Nelly Sosa e outros assistiam ao espetáculo – que aos poucos ia perdendo a graça e se dissolvendo nas conversas sobre os assuntos mais diversos.

 3

Em dia incerto – desses que parecem iguais a todos os outros – desembarcam do trem das dez horas Ramón Folcada e sua esposa, Negra Miranda (com vinte e oito anos recém-completados e umas pernas inesquecíveis). Ele é suboficial do comissariado de polícia e foi transferido de Suárez. Algum tempo depois, o casal abre “O Ás de Espada”, um bar que serve almoço e bebidas para os funcionários da fábrica Glaxo. Nas noites de verão, os amigos se reuniam em volta de uma mesa de ferro batido, colocada na calçada, em frente ao “O Ás de Espadas”, para conversar, para beber cerveja Danúbio e comer amendoim com casca.

4

Miguelito Barrios abandona a escola e começa a trabalhar no escritório da ferrovia. Organiza os pacotes que chegam pelo trem. Durante a tarde faz as entregas. Nos horários vagos vai cavalgar com Ramón Folcada (que se torna uma espécie de pai adotivo do rapaz, que é órfão). Por razões de trabalho, em 1959, precisou ir até Buenos Aires.

5

Dois pedreiros construíram uma casinha do outro lado dos trilhos. Ela foi habitada durante um ano por quatro mórmons.  Quer dizer, três, porque um foi embora. Ninguém entendia direito o que eles estavam fazendo ali. O único habitante que se mostrava hostil aos missionários religiosos (mas de forma discreta) era Ramón Folcada.

 6

Quando saiu da prisão, em 1966, Flaco Vardermann tinha a cabeça raspada e a pele rançosa. Na plataforma da estação ferroviária, Miguelito Barrios, em um primeiro instante, teve dificuldades para reconhecê-lo. Deixaram que ele saísse antes, pensei. Mas se ainda lhe faltavam mais de cinco anos. O Flaco desembainhou um revólver imaginário. Como fazíamos no Bermejo – eu me fazia de John Wayne e ele imitava mal Kirk Douglas –, disparou na minha direção. Depois esboçou uma careta. Soprou a ponta do dedo. E saiu caminhando perto da via, com aquela passada larga e serena, quase hipnótica. Desta vez não se jogou no chão, não quis se fazer de moribundo.

7

Os operários acabam de carregar as ferramentas nos caminhões da prefeitura. O matagal já não existe, foi desfeito, e por onde passavam os trilhos, agora há um caminho novo, uma diagonal, que mais se parece uma ferida costurada. Esse caminho parece, então, a recordação de um talho, irremediável, na terra.

8

A concisão de Glaxo, novela escrita pelo argentino Hernán Ronsino, impressiona. São apenas 71 páginas, divididas em quatro capítulos, ou melhor, em quatro narradores. O tempo narrativo vai e volta (1973, 1984, 1966, 1959), permitindo que cada uma das vozes, em diferentes momentos, acrescente novas camadas de informação ao corpo do texto. A geografia está localizada em uma área específica: o povoado está emparedado entre a Glaxo e a estação ferroviária.

Ao leitor cabe reunir todos esses elementos e compor o desenho final do mosaico.

 9

Seria Glaxo uma adaptação literária de Last Train from Gun Hill? Diferenças significativas. Semelhanças consideráveis. Há aquele que rompe com uma amizade. E há aquele que imagina recuperar a perda através da vingança. A vida na província e a violência política. Os limites morais, a covardia, a culpa, um crime – ou vários.

10

William Faulkner. Juan José Saer. Juan Carlos Onetti. Rodolfo Walsh. Flannery O’Connor. Encontrar os pontos convergentes. Um universo de discursos cruzados.

11

Por trás do mau humor sempre há alguma coisa, um incômodo não dito. Olho a rua, tomo um pouco de cerveja, enxaguo a boca. Como é que você vai falando isso para ela assim, digo. Montes me olha como um menino que cometeu um erro, que fez bobagem. Montes tem o olhar de um menino que fez bobagem. Como vai pressionando ela assim?, digo. E Montes fica em silêncio, fica pensando. E diz: O quê? Fiz mal? Você é uma besta, volto a dizer, um animal, a mulher se assustou, não percebeu? Ela te evitava, não queria saber nada de você, nem da Glaxo. Sim, me diz Montes, isso ela me falou depois. Como depois?, digo. Sim, depois, ele diz, e volta, o desgraçado, a me enredar com seu relato.                   

12

Hernán Ronsino nasceu em Chivilcoy (província de Buenos Aires), em 1975. Sociólogo e professor da Universidade de Buenos Aires. Publicou La Decomposición (2007), Glaxo (2009) e Lumbre (2013).

13

A tradução de Glaxo é de Livia Deorsola.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

O QUINTETO DE BUENOS AIRES



Mi Buenos Aires querido, / cuando yo te vuelva a ver, / no habrá más penas ni olvido, canta Carlos Gardel, certamente idealizando uma cidade que nunca existiu – exceto ficcionalmente. Igualmente ficcional é a Buenos Aires de Manuel Vázques Montalbán.

Há diferenças significativas entre uma e outra visão. A segunda, embora seja uma criação “ad hoc”, está muito próxima da realidade geográfica, social e política. Definitivamente, não é uma fotografia para publicar em rede social. Quando José Carvalho Larios, mais conhecido como Pepe Carvalho, sintetiza a cidade através da trilogia tangos, desaparecidos, Maradona, descontada a ironia ferina, percebe-se que a intenção narrativa não é a de negar a História – mas sim de enfrentá-la.

O Quinteto de Buenos Aires foi publicado em Espanha em 1997 (em 2000 no Brasil). E, na medida em que isso está ao alcance de um romance policial, trata-se de uma narrativa centrada na demolição da argentinidade (mudando uma peça aqui, outra ali, também poderia ser a aniquilação da brasilidade). A linha base do enredo é singela: Pepe Carvalho é contratado para descobrir o paradeiro de seu primo, Raúl Tourón, que está na capital portenha. Depois, deve convencê-lo que deve voltar para Barcelona, Espanha, onde, ao lado seu pai, Evaristo Tourón, estará em segurança. A primeira tarefa é relativamente fácil. A segunda, quase impossível – Raúl retornou ao terceiro mundo, depois de muitos anos, para um ajuste de contas com o passado – quer se vingar de sócios desonestos, prantear o luto pela morte da esposa e encontrar a filha desaparecida.

Manuel Vásquez Montalbán (1939-2003)
Pepe Carvalho, no intervalo entre uma e outra etapa desse trabalho, precisa enfrentar vários desdobramentos. Algumas complicações surgem quase que espontaneamente. O passado político da Argentina atinge a todos os que estão em cena – os braços tentaculares do poder costumam asfixiar aqueles que ousam desafinar a ordem geral.

As cenas de corrupção permeiam a narrativa – que se passa no governo de Carlos Menem. Lograr os outros resume a atividade comercial que movimenta aqueles que possuem algum tipo de projeção social. Diante da possibilidade de colocar as mãos em qualquer quantia, cabe ao indivíduo decidir se participará do acordo ou se ficará de fora. Pactuar é o eufemismo adotado nessas ocasiões. A tradução desse impasse – produzido pelo capitalismo predador – pode ser resumida em vários assassinatos e em diversos momentos de violência explícita. Nada que pareça destoante do propósito concreto embora seja sempre assustador.
O contraponto a essa selvageria aparece na figura de um policial honesto, que quer cumprir com o dever custe o que custar. O inspetor Óscar Pascuali, como compete aos homens da lei, não consegue entender qual é o jogo de que participa – e, evidentemente, há um preço a pagar por esse proceder. Suas atividades estão restritas (em muitos momentos) ao observar passivo dos acontecimentos. Ou seja, ele sempre chega atrasado aos lugares onde ocorrem os eventos mais importantes da narrativa – e tenta corrigir esse desacerto gerando mais violência. É a figura mais patética de todo o romance. E isso não quer dizer pouca coisa. Há uma multidão de personagens nas 458 páginas de O Quinteto de Buenos Aires. Alguns deles fogem do estereótipo que povoa a literatura policial. Como definir um empresário que abandona tudo (negócios, família), assume a homossexualidade e resolve se dedicar à proteção de mendigos, vagabundos, aidéticos e viciados de todas as espécies? Além disso, o grande plano do sujeito é a invasão (de forma pacífica) das Ilhas Malvinas (Falklands Islands) para construir alguns falanstérios, onde abrigará os seus “marginais”. A figura mais sinistra, o Capitão, de quem ninguém sabe o nome exato, surge como um espectro maligno. Remanescente do grupo de militares que participou dos governos ditatoriais (1976-1983), se utiliza das informações que obteve em sessões de tortura para manter algum poder. Como os tempos são “outros” – e o passado foi anistiado – faz inúmeras alianças com empresários e políticos. Também se pode considerar como singulares a dançarina de boate que estuda latim, o boxeador que se suicida por amor, o chef de cuisine Drumond, o propriétaire du restaurant Lucho Reyero e um farsante que se diz filho legítimo de Jorge Luis Borges. Ao lado de todos esses excêntricos surge don Vito Altofini, o sócio argentino de Pepe Carvalho: Um homem de uns sessenta anos, cabelos prateados pela luz fluorescente e fixados com brilhantina um tanto ordinária, excessivamente bem vestido, embora se perceba que o terno não é novo, que a camisa já foi lavada várias vezes; de qualquer modo, as abotoaduras reluzem, assim como o alfinete da gravata, os sapatos e os dentes.

Região central de Buenos Aires
A reunião de toda essa gente esquisita resulta em uma imensa e tresloucada confusão. A trama principal vai sendo deslocada para o acostamento, como se fosse acessória, e os temas secundários vão tomando conta da narrativa. A procura pelo primo desaparecido parece não importar muito – há bastante divertimento em Buenos Aires, uma cidade repleta de argentinos deprimidos.

Uma das chaves do romance aparece em uma declaração de don Vito Altofini: A arte me apaixona. Há açougueiros que são artistas, em qualquer ofício se pode ser artista. Aqueles que sobreviveram ao horror promovido pela ditadura argentina vivem em crise de identidade, não sabem se conseguem explicar o mundo através da arte ou da carnificina. Nesse sentido, ninguém se espanta quando a esposa do Capitão, entorpecida de álcool e passado, ao ouvir um barulho, exclama: Um tiro. Foi um tiro. Quem vocês mataram dessa vez?

No capítulo derradeiro, “Assassinatos no Clube dos Gourmets”, a comédia-pastelão se completa. O que até então era uma narrativa comedida, na medida do possível cada coisa em seu lugar, se transforma em sucursal do inferno – mas, é preciso esclarecer, uma filial muito engraçada. Vários assassinatos (alguns absolutamente ridículos), uma tentativa de suicídio, uma tentativa de homicídio, um cardápio gastronômico fantástico. O epilogo de todo esse horror repete a conhecida liturgia: enquanto os mandantes dos crimes permanecem incólumes, os empregados precisam se justificar na delegacia mais próxima. 

O Quinteto de Buenos Aires é entretenimento de excelente qualidade.



TRECHO ESCOLHIDO

 

Carvalho faz uma cara de esfaimado e dirige-se ao balcão do self-service dos professores. Espera sua vez para servir-se. Então, passa diante de cada um dos pratos como se fizesse uma análise secreta dos prós e dos contras do que o bufê oferece. Decepcionado, volta para a mesa de Alma com a bandeja quase vazia, sem outra comida além de um cacho de uva num pratinho, uma garrafinha de vinho e um pãozinho. Alma observa o espetáculo desolador. 

“Não havia nada à altura do paladar de sua excelência?”

Carvalho senta-se e suspira resignado. 

“A se confirmar minha expectativa de vida, calculei que me restam umas sete mil refeições em condições mais ou menos dignas. Não quero me tapear. O que tem aqui não é comida.”

“E os etíopes? Não sabe que os etíopes estão passando fome?”

“Eu tenho sido espanhol por mais de cinquenta anos, e você me vem com essa de etíopes!”

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

NO ESTILO DE JALISCO


A história do futebol brasileiro muitas vezes se confunde com uma série de fracassos épicos (Copa do Mundo de 1950, Copa do Mundo de 1982, Copa América de 2001, Copa do Mundo de 2016). Assim como o “Maracanazo”, serão necessários séculos para esquecer a derrota para a Alemanha (7 a 1). Em todos esses momentos, o ufanismo grotesco projetava o triunfo e coube aos adversários corrigir exemplarmente a soberba. Como na famosa história de Garrincha, faltou combinar com os russos.
                         
Além dessas tragédias explicitas, há outra, menor, e que tem passado despercebida pela literatura. O melhor texto de ficção sobre o futebol brasileiro foi escrito por... um mexicano. Pois é, o país do futebol não consegue passar do nível de um perna-de-pau quando está jogando no campo da literatura. Isso, evidentemente, não quer dizer que o placar esteja em branco. Claro que não. Mas,... Os gols, digo, os romances produzidos por Márcio Américo (Meninos de Kichute, 2003), André Sant’Anna (O Paraíso é Bem Bacana, 2006), Michel Laub (O Segundo Tempo, 2006), Marcelo Backes (O Último Minuto, 2013) e Sergio Rodrigues (O Drible, 2013), entre outros, não parecem ser suficientes para levar o time à primeira divisão. Um pouco mais de categoria (golaço!) pode ser encontrado no texto de Clara Arreguy (Segunda Divisão, 2005), que parece ser um gol de honra, desses que não modificam o placar final. Em relação aos contos, basta lembrar a esqualidez da coletânea 22 Contista em Campo, organizada por Flávio Moreira da Costa em 2006, ou a exceção que é Maracanã, Adeus: onze histórias de futebol, do Edilberto Coutinho, publicado em 1986. 

No Estilo de Jalisco, de Juan Pablo Villalobos, publicado em 2014, é, na falta de palavra melhor, sensacional. Primeiro, porque se afasta da visão trágica do jogador pobre que encontra no futebol uma forma de avanço social e econômico. Nada contra o clichê, mas a bola também rola por outros gramados. Segundo, o uso da linguagem coloquial, repleta de expressões que misturam o espanhol mexicano com o carioquês resulta em um bom achado literário. O texto fica fluído, palatável. Terceiro, permite uma visão exterior de um período histórico pouco abordado pela literatura brasileira. Em livros de memórias políticas, como Os Carbonários (Alfredo Sirkis, 1980) e O Que é Isso, Companheiro? (Fernando Gabeira, 1979), há passagens sobre o ano de 1970 que são preciosidades. Ao mesmo tempo em que sequestravam embaixadores e cônsules, eles estavam diante da televisão, torcendo pela seleção – que foi usada para camuflar a repressão política. Coisa de doido, que foge da racionalidade de quem pretendia combater o governo militar.


Construído como um imenso (e intenso) bloco narrativo (apesar de estar fatiado em três partes), No Estilo de Jalisco conta a história de Juan. Nascido em Guadalajara (capital do estado de Jalisco), Juan viu vários dos jogos do escrete canarinho na Copa do Mundo de 1970. Ficou impressionado e resolveu se mudar para o Brasil aos 18 anos de idade. O tempo foi passando e ele se tornou parte da paisagem. Vários casamentos, incontáveis aventuras. Deslumbramentos. No intervalo entre uma crise e outra, descobriu uma maneira de ganhar dinheiro com a fama do “dream team” brasileiro de 1970. Como não podia contar com o elenco original, imaginou uma representação teatral dos jogos – ou melhor, das principais jogadas. Em estilo empreendedor, vendeu a ideia para um amigo de infância, empresário do ramo de entretenimento. Dezenas de apresentações foram marcadas em cidades do interior do México.

Essa história é contada na mesa de um bar. Seu interlocutor, Jair, não diz uma única palavra. Como compete a um narratário, sua existência literária tem como prioridade não deixar o narrador falando sozinho.

Entre dezenas de canecas de chope e copos de cachaça, Juan conta como foi escolhendo os jogadores, as dificuldades que teve para convencer os atletas/atores. A melhor parte acontece durante a excursão ao México. O espetáculo se transforma em outra coisa – que ele não consegue definir com precisão. Todo mundo ganhou dinheiro, mas,... a associação com Tigre (o amigo) foi muito diferente daquilo que ele havia projetado.  

Muitas das cenas são engraçadíssimas. Soma de trapalhadas, de “causos”, de confusões. As histórias dos dublês dos jogadores brasileiros e uruguaios (sim, vários uruguaios entram nesse balaio de gatos) são inacreditáveis. Desde jogador alcoólatra até o evangélico que exige uma “doação” ao pastor para poder jogar. Há de tudo – e mais um pouco. 

Juan é um excelente contador de histórias, que nunca perde o fio da meada, embora faça algumas divagações – em lugar de atrapalhar o desenvolvimento da história, esses penduricalhos ajudam na construção da atmosfera etílica em que o livro está assentado. Talvez o único senão esteja na inacreditável lucidez de Juan nas páginas que concluem o texto – depois de “tomar todas”, isso não parece verossímil.

Ao final de No Estilo de Jalisco, a grande piada – a vida não fornece sossego para aqueles que querem ser mais espertos do que os espertos. Uma bela metáfora do futebol brasileiro.


Juan Pablo Villalobos morou no Brasil entre 2007 e 2014. Publicou em português, além de No Estilo de Jalisco (2014), Festa no Covil (2012), Se Vivêssemos em um Lugar Normal (2013) e Te Vendo um Cachorro (2015).


TRECHO ESCOLHIDO

 

Na Copa de 78, por exemplo, o desastre foi maiúsculo. Olha o ridículo. O cálculo era que na primeira fase a gente ganhava da Tunísia, empatava com a Polônia e perdia da Alemanha. Ficaríamos com três pontos que dariam um passe para a segunda fase. Sabe o que aconteceu? A gente perdeu os três jogos por goleada. Tem até uma piada famosa da partida contra a Alemanha. O primeiro tempo acabou 3 a 0 pra Alemanha e o goleiro mexicano teve de ser substituído por lesão. Então quando acabou o jogo, o goleiro reserva foi correndo para o vestiário e falou para o goleiro titular que tinha ficado ali sem saber o que acontecia no gramado:

– Empatamos!

O goleiro titular pulou de felicidade:

– 3 a 3?

– Não, disse o goleiro reserva, eu também tomei três.


terça-feira, 19 de dezembro de 2017

O ROCK-AND-ROLL E OS ROQUEIROS EM QUARENTA FRASES



Frank Vicent Zappa (1940-1993)

– Funciona assim: pegue qualquer melodia, seja ela qual for, Beethoven ou música havaiana, toque na guitarra, adicione baixo e bateria, e as pessoas chamarão de rock ‘n’ roll. (Frank Zappa)

– Se você quer ser guitarrista, comece por um violão e aprenda bem até chegar à guitarra. Primeiro é preciso conhecer essa vadia. Ir para a cama com ela. Se não tiver uma garota por perto, durma com ela. Tem a forma perfeita. (Keith Richards)

– Rock tem que ser ofensivo. Tem que soar como pregos arranhando um quadro-negro. (Iggy Pop)

– Quando você faz sucesso com uma banda de rock-and-roll, têm que conviver justamente com as pessoas de quem você queria fugir ao fundar uma banda de rock-and-roll. (Renato Russo)

– Somos mais populares do que Jesus. Não sei o que vai durar mais: rock ‘n’ roll ou cristianismo. (John Lennon)

– O punk rock está morto... E eu matei o maldito. (Billie Joe Armstrong)

– Eu nunca serei um desses caras que tocam um solo maior do que deveria ser. Meus solos complementam a música. A música é mais importante, não o solo. (Slash)

– Prefiro ser louco em um mundo onde os normais constroem bombas. (Raul Seixas)

– Se tentassem dar outro nome ao rock-and-roll, poderiam chama-lo de Chuck Berry. (John Lennon)

Keith Richards (1943 -????)
– Eu tenho o maior medo desse negócio de ser normal. (John Lennon)

– Bandas que dizem preferir tocar em lugares menores, falam isso porque não conseguem lotar um estádio. (Paul Stanley)

– No dia em que Jimi Hendrix morreu, larguei o futebol e resolvi ser guitarrista. (Joe Satriani)

– Morra jovem, permaneça belo. (Kurt Cobain)

– O rock-and-roll retarda o envelhecimento! (Bruce Springsteen)

– Elvis Presley é o big bang do rock-and-roll, o começo de tudo. (Bono Vox)

– O rock ‘n’ roll é o maior amor da minha vida, pois foi através dele que cheguei a todos os outros. (Ozzy Osbourne)

– Rock ‘n’ roll é o blues escapando da blitz, em excesso de álcool e velocidade. (Paulo Merçon)

– As pessoas acham que rock-and-roll é só sobre rebelião adolescente, mas porque não podem existir velhos rebeldes também? (Lemmy Kilmister)

– A música não mente. Se quisermos mudar o mundo, isso terá que acontecer através da música. (Jimi Hendrix)

Billie Joe Armstrong (1972 - ????)
– Temos sido acusados de fazer o mesmo álbum uma dúzia de vezes. Isto é uma mentira suja. A verdade é que fizemos o mesmo álbum 14 vezes. (Angus Young)

– Sinto-me mal por ter ajudado a criar uma música que está deixando as pessoas surdas. (Peter Townshend)

– Quando as pessoas começam a copiar o seu estilo, você sabe que alguma coisa está acontecendo. (James Hetfiel)

– Nunca tive problemas com as drogas. Só com a polícia... (Keith Richards)

– Não sou eu. São as músicas. Eu sou só o carteiro. Eu entrego as músicas. (Bob Dylan)

– Se você quer trepar, vá à faculdade. Mas se você quiser aprender alguma coisa, vá à biblioteca. (Frank Zappa)

– Quando você está crescendo, há dois lugares institucionais que te afetam mais do que qualquer outro: a igreja, que pertence a Deus, e a biblioteca pública, que pertence a você. (Keith Richards)

– Drogas são horríveis. Elas acabam com o seu coração, seu fígado e seu cérebro. E o pior de tudo é que deixam você igual aos seus pais. (Frank Zappa)

– Enquanto houverem garotos chateados, o heavy metal continuará existindo. (Ozzy Osbourne)

– Rock ‘n’ roll não se aprende, nem se ensina. (Raul Seixas)

– Tenho dois objetivos: me divertir e mudar o mundo. Como um astro do rock, posso fazer as duas coisas. (Bono Vox)

Kurt Donald Cobain (1967-1994)
 – Melhor queimar do que apagar aos poucos. (Kurt Cobain)

– Se as portas da percepção forem abertas, as coisas irão surgir como realmente são: infinitas. (Jim Morrison)

– Nós não somos arrogantes, nós só achamos que somos a melhor banda do mundo. (Noel Gallager)

– O cara que disse que dinheiro não compra felicidade, não sabia onde fazer as compras. (David Lee Roth)

– É possível para um homem ser monogâmico. Também é possível parar de respirar – mas não por muito tempo. (Gene Simmons)

– Chegamos a um ponto em que estávamos dormindo com duas ou três garotas por noite e tínhamos que parar. Pelo menos foi o que disse a minha esposa. (Lars Ulrich)

– Sexo, drogas e rock-and-roll: livre-se das drogas e terá bastante tempo para os outros dois. (Steven Tyler)
 
Joseph "Joe" Satriani (1956 - ????)
– Nunca tive uma overdose no banheiro de outra pessoa. Acho que é o cúmulo da falta de educação. (Keith Richards)

– Um repórter de rock é um jornalista que não sabe escrever, entrevistando gente que não sabe falar, para pessoas que não sabem ler. (Frank Zappa)

– Rock é a forma de expressão mais brutal, feia, desesperada e suja que já tive o desprazer de ouvir. (Frank Sinatra)